sábado, 30 de abril de 2011

História - Parte I


Desconheço, exatamente, quando surgiu minha paixão por bonecas, mas imagino que tenha sido algo gradual, mas tenho certeza que foi aumentando com o passar do tempo.

Conforme passava o tempo, minha paixão aumentava. Não tinha muitas bonecas, lembro que eram poucas, mas um dia, passeando com meus pais, passamos em frente a uma loja de brinquedos, foi então que eu vi aquela boneca, linda, esbelta, com um vestido longo pink demais! Foi amor a primeira vista! E era a boneca mais desejada de todas naquele tempo: a Barbie!

As condições não eram lá muito favoráveis, como dizia minha mãe, era um brinquedo muito caro na época, então era difícil.Mas eu tinha uma meta a cumprir, queria a boneca de tudo que é jeito. O que eu fiz? Eu precisava arranjar alguma forma para conseguir. Foi então que eu comecei a guardar um dinheirinho das mesadas que meu pai e minha mãe me davam. Todos achavam que eu queria guardar dinheiro para comprar chocolate ou doces... Mas isso era coisa que meus avós me davam de vez em quando. Mal sabiam eles que eu queria a minha boneca Barbie! Hehehe

Mas com o tempo, eu ia guardando e gastando ao mesmo tempo e nunca chegava o dia de eu poder realizar o sonho de ter aquela boneca.

No ano seguinte, meus pais me deram uma meta (assim como todos os inícios de ano letivo), que era para estudar e se eu fosse aprovada no colégio e mudasse de série, me dariam um presente no final do ano. Bom, foi que eu pedi uma Barbie. Mas por minha tristeza ou felicidade, eu não ganhei a boneca, mas tinha ganhado uma casinha de bonecas, linda! Com dois andares, moveis de madeira, as janelinhas e portinhas que abriam e fechavam e tinha formato de coração. Ela era de desmontar, então eu só podia brincar com ela nas férias. Nossa, eu queria amanhecer brincando com aquela casinha, e sonhava acordada com as coisinhas que eu poderia fazer nela. Fiz cortinas, tapetes, almofadas, mil e umas coisas para a casinha. Afinal, eu já sabia costurar (uma costura meio tortinha, mas dava para o gasto).

Mas aquela casinha, não era no tamanho adequado para a “Barbie”. Eu brincava com outras bonequinhas, que vinham nos pacotinhos de doces... brinquei muito, muito mesmo.

Lá pelos meus 12 anos, me veio o pensamento e a lembrança de que eu não tinha tudo que queria... faltou uma coisa! A Barbie! Pois é, eu com 12 anos completos, querendo uma boneca? Pois sim, meus pais não acreditavam que eu iria ter interesse por isso com essa idade. Mas eu tinha. E parecia que cada vez mais estava distante de eu conseguir a tal boneca.

https://www.flickr.com/photos/tdbmix/albums/72157672470123851


Foi então, que tomei a decisão de “custe o que custar, eu terei essa boneca”, levei adiante a meta. Comecei a guardar cada centavo do meu dinheiro, tudo que eu ganhava dos meus pais, avós, tios... etc...

Eu passava em frente a uma loja, perto do meu colégio e, namorava aquela boneca. E cada semana que passava, parecia estar mais próximo de eu ter ela nos braços.

Comecei a fazer artesanato. Fazia de tudo, chaveirinhos, bichinhos, bonequinhas de tecido, bolsinhas, enfeites de crochê, etc...e vendia no colégio.

Nossa, juntei tanto, mas ainda faltava um pouquinho. Foi que num belo dia de domingo, depois de um almoço bem gostoso que minha mãe fez, meu pai resolveu me dar um dinheirinho, nossa foi perfeito, era exatamente o que faltava para eu poder comprar a boneca. Eu não me aguentei, enquanto minha mãe iria tirar aquele cochilo de domingo a tarde, peguei a minha bicicleta, e fui correndo na loja (que ficava uns 4km da minha casa, mas a dona da loja morava nos fundos da loja), bati palmas, e supliquei que ela me vendesse a boneca, com a desculpa que não poderia ir outro dia e antes que alguém pudesse compra-la eu fui correndo comprar.

Nossa, na volta, lembro que minha mãe brigou comigo, porque eu disse que era só uma volta e eu demorei bastante tempo, mas quando eu mostrei que tinha comprado a boneca, a felicidade era tanta... corri para o meu quarto e fiquei um bom tempo olhando e mexendo naquela boneca.
Depois de algum tempo, fiquei pensando, que ela tinha que ter uma casa, que tinha que ter roupas, bichinho, etc...

Queria ter muitas coisas, queria ter de tudo para ela, desde um sofá bem confortável, até mesmo um lindo carro, uma casa, comidinhas que fossem de verdade, queria tanto isso, que a vontade de permanecer eternamente criança era enorme.

Peguei uma caixa de papelão, cortei as janelinhas e as portinhas, e encapei com papel de presente. Fiz cortinas, comecei a inventar móveis com caixinhas de fósforo de sabonete, de várias coisas que minha mãe pudesse jogar fora e aproveitava tudo.

Mas o sonho era infinito e eu queria muito ter algumas coisas que não podia, incluindo ter a linda casinha com coisinhas legais.

Passamos por um tempo não muito bom, as condições financeiras eram muito limitadas, tive que guardar a minha Barbie por um tempo. E com ela, minha memória de que “um dia, eu iria ter tudo aquilo que eu desejava naquele momento, independentemente da idade que eu tivesse”.
Muita coisa aconteceu, muitos anos se passaram, muitos e muitos. E junto aquela Barbie, o sonho de ter a casinha dos sonhos para ela.

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